terça-feira, 13 de julho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

NATUREZA MORTA

O termo natureza-morta é dado a uma pintura ou a um desenho de objetos inanimados. Comumente são utilizados frutas, animais abatidos (peixes, aves, crustáceos em geral) ou utensílios domésticos (bules, copos, pratos, vasos, entre outros) colocados, na maioria das vezes, sobre uma mesa. Em suas pinturas ou desenhos, enquanto alguns pintores adotam uma reprodução fiel do objeto observado, outros dão um tratamento diferenciado da realidade.

Embora já houvesse traços de natureza-morta em murais da Roma Antiga, é no início do Barroco, durante o século XVI, que ela tornou-se independente ao retratar temas religiosos em cozinhas populares, como o óleo sobre tela de Diego Velázquez, “Cristo na casa de Marta e Maria” (National Gallery de Londres – Inglaterra):




A luz, importante elemento visual da arte do Barroco, é o que dá ritmo à obra, conduzindo o olhar sobre a composição e aos níveis de profundidade. Percebe-se que a reprodução ideológica do objeto observado, dentro de um contexto religioso, traria certas interpretações. “A natureza-morta passou a funcionar como metáfora moralizante dentro da cultura católica: a fruta que é bela por fora, mas apresenta indícios de podridão interna; ou apenas uma fruta que ostenta uma beleza tentadora e perigosa”. (3) Mais tarde, outras representações, fora desse contexto religioso, definiriam mais uma função da natureza-morta – o livro representava a sabedoria, a caveira representava a brevidade da vida. (Paul Cézanne – Pirâmide de Crânios, Grand Palais Exhibition, Paris, França, 1900).



Na Espanha, chamada de “bodegón”, a natureza-morta tinha o intuito de demonstrar a imagem do objeto que representasse harmonia, serenidade e bem-estar por meio de efeitos de luz, cores e perspectivas. O artista espanhol tornava-se cada vez mais respeitado à medida que demonstrava ter um amplo conhecimento técnico-artístico para a representação da realidade.

No século XVII, considerada inferior em relação às pinturas históricas, mitológicas e religiosas, a natureza-morta tinha seu preço desvalorizado no mercado das artes. Vista como uma pintura meramente decorativa, ela ocupava, nos Países Baixos, os cômodos mais humildes dos lares populares. A tentativa de se afastar dessa ideologia católica fez com se passasse a retratar o uso cotidiano dos objetos das casas populares holandesas.

O pintor holandês Veermer, em sua obra “A leiteira” (tela pintada por volta de 1669) retratou o trabalho lento e meticuloso que retratava uma típica mulher holandesa da época. Com completa precisão, o pintor retrata a realidade de uma camponesa junto a objetos e comidas do cotidiano. Veermer age como um fotógrafo ao descrever com suavidade e com riqueza de detalhes a cena descrita.




A partir do século XVIII, na Espanha, a natureza-morta começou a ter mais prestígio nas classes sociais mais abastadas. O peixe, por exemplo, deixou de ser representado a partir de uma manifestação religiosa para retratar o elevado poder econômico de seu consumidor. Como Madri era localizada no centro do país, distante do mar, o peixe fresco era um produto muito mais caro do que o seco e, por conseguinte, era apenas adquirido por classes sociais com maior poder aquisitivo.

No século XIX e no início do século XX, a natureza-morta afasta-se definitivamente de qualquer gênero preestabelecido. A partir do estudo de novas técnicas, mediante a aplicação de cores, composições, perspectivas, ela serviu para a pesquisa plástica dos artistas. O naturalismo do século XVII definitivamente perderia sua importância em prol das novas concepções estéticas na arte.

Na obra de Cézanne, “Natureza morta com maçãs e laranjas”, por exemplo, há uma preocupação estética por parte do artista que não se resume, apenas, à mera representação científica do objeto. A distorção provocada pelos objetos pintados, tomando como origem diversos planos de perspectiva, denota um afastamento dos preceitos do Naturalismo. Cézanne, nessa obra, preocupa-se em preencher todo o espaço da tela, aplicando assim novas técnicas de angulação nessa representação. A realidade, agora distorcida, representaria dois pólos distintos: o da realidade científica e o da visão que retratava distintas “realidades”.





Arte e Representação



Essa obra do pintor Magritte, “Isto não é uma maçã”, exemplifica uma possível discussão sobre diferentes interpretações oriundas daqueles que observam um objeto. O artista quis demonstrar que a maçã pintada na tela não retratava a realidade. Magritte, associado aos surrealistas, questionava o que era a realidade.

Conforme afirmava Fernand Léger, “é tarefa do artista fazer algo tão bonito quanto a natureza, mas em imitar a natureza”. Assim, evidencia-se o caráter criativo e individual do olhar e do registrar.

Em 1959, Marcel Duchamp tratou o tema da natureza-morta de forma irônica e divertida quando construiu a obra “Escultura morta”. Ele fez críticas à arte tradicional, defendendo que arte não era o que víamos, mas sim o que pensamos ao observá-las.

Os artistas tem muita dificuldade de fazer uma natureza-morta; dado o tempo necessário para a pintura, muitas vezes o artista tem de conviver com a deterioração do produto observado, no caso de alimentos naturais, peixes, etc. Isso faz com que o autor da obra muitas vezes tenha de refazê-la, demonstrando a importância da observação, da memória e da sensibilidade na pintura.

TRABALHOS DOS ALUNOS

sábado, 12 de junho de 2010

sábado, 29 de maio de 2010

Kandinsky Duas Ovais
1-aquarela abstrata 1910

Abstracionismo lírico

Nas artes, o Abstracionismo lírico ou abstracionismo expressivo inspirava-se no instinto, no inconsciente e na intuição para construir uma arte imaginária ligada a uma "necessidade interior". Aparece como reação às grandes revoluções do século XX, como por exemplo, a Primeira Guerra Mundial.

O jogo de formas orgânicas e as cores vibrantes eram visíveis; mas também a linha de contorno sobressaía nesta arte nitidamente não figurativa.

Procurava uma aproximação à música, onde a expressividade dos sons se transformava em linguagem artística. É desta forma que o abstracionismo lírico pretende igualar ou mesmo superar a música, transformando manchas de cor e linhas em idéias e simbolismos subjetivos.

Já na década de 1910 Kandinsky (1866-1944) desenvolve seus primeiros estudos não figurativos, fazendo com que seja considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata.

O artista afirma: "O primeiro a romper com a tradição de pintar os objetos existentes fui eu. Fundei a pintura abstrata".

A criação de Kandinsky de trabalhos puramente abstratos seguiu um longo período de intenso desenvolvimento e amadurecimento do pensamento teórico baseado nas suas experiências pessoais artísticas. Chamou a esta devoção como beleza interior, fervor de espírito e uma necessidade funda de desejo espiritual, que foi o aspecto principal da sua arte.

Algumas Obras abstratas


Sinecio-Paul Klee
Paul Klee - Cat and Bird
Kandinski - I
Kandinski II
Paul Klee-Red Balloon

ABSTRACIONISMO

video
ABSTRACIONISMO

A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.

O Abstracionismo apresenta várias fases, desde a mais sensível até a intelectualidade máxima.bstracionismo Informal ou Sensível, predominam os sentimentos e emoções. As cores e as formas são criadas livremente. Na Alemanha surge o movimento denominado "Der blaue Reiter" (O Cavaleiro Azul) cujos fundadores são os Kandinsky, Franz Marc e Paul Klee. Uma arte abstrata, que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. Estes artistas se aprofundam em pesquisas cromáticas, conseguindo variações espaciais e formais na pintura, através das tonalidades e matizes obtidos. Eles querem um expressionismo abstrato, sensivel e emotivo. Com a forma, a cor e alinha, o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores, sem relacioná-los a lembrança do mundo exterior. Estes elementos da composição devem ter uma unidade e harmonia, tal qual uma obra musical.

Principais Artistas:

WASSILY KANDINSKY (1866-1944), pintor russo, antes do abstracionismo participou de vários movimentos artísticos como impressionismo, atravessou uma curta fase fauve e expressionismo. Escreveu livros, como em 1911, Sobre o espiritual na arte, em que procurou apontar correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores, e em 1926, Do ponto e da linha até a superfície, explicação mais técnica da construção e inventividade da sua arte. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de "Arte Degenerada".

PAUL KLEE (1879-1940), pintor suiço, capaz de aliar o rigor artesanal a uma absoluta liberdade de invenção, surpreende sempre pela multiplicidade de formas, desde composições em que se insinua a representação figurativa até fascinantes experiências com formas puras e inusitadas. Sua obra possui uma sistemática rigorosa, são constantes as oposições entre ângulos retos na maior parte de suas obras construtivistas e, em contraste, as sinuosidades predominantes em outros quadros, como ainda se alternam os estudos de perspectiva e os de pura plasticidade bidimensional, ou o jogo entre as imagens de pura linha e os contrastes cromáticos. O artista deixou vários textos críticos e seus famosos Diários.

FRANZ MARC (1880-1916), pintor alemão, apaixonado pela arte dos povos primitivos, das crianças e dos doentes mentais, o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais, conheceu Kandinski, sob a influência deste, convenceu-se de que a essência dos seres se revela na abstração. A admiração pelos futuristas italianos imprimiram nova dinâmica à obra de Marc, que passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista. Os nazistas destruíram várias de suas obras. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas-Artes de Liège, no Kunstmuseum, em Basiléia, na Städtische Galarie im Lembachhaus, em Munique, no Walker Art Center, em Minneapolis, e no Guggenheim Museum, em Nova York.